terça-feira, 31 de maio de 2011

Devoção de católico
Pe. Zezinho, scj

O amor é tanto que comemoramos anúncio, concepção, nascimento, momentos da vida, morte e ressurreição de Jesus. Também comemoramos concepção, nascimento, momentos de vida e morte de Maria, a mãe dele. Amor suscita memórias.
A um desses irmãos aguerridos de outra igreja, quando tive chance de explicar, expliquei o porquê desses nomes e dessas datas. Se ele se satisfez, não sei, mas parou de discordar. Aceito ouvir as explicações deles, mas quero o direito de explicar os meus porquês. Não sou um crente visceral; sou crente cristão, católico que estuda. Por isso celebramos os mistérios e vivências de ontem e, neles, nossos mistérios e nossas vivências.
Anunciação, a 25 de março, por conta do anúncio feito pelo anjo a Maria. Ela seria mãe de alguém especial. Está nos evangelhos. Imaculada Conceição, a 8 de dezembro, porque, para nós, o primeiro instante de uma vida é sagrado. O primeiro instante da vida da mãe de Jesus para nós e motivo de festa. Está na tradição. Natal, a 25 de dezembro, porque o nascimento de Jesus fez a diferença no mundo. Está nos evangelhos. Natividade de Maria, a 8 de setembro porque, se o menino que dela nasceu não foi um menino qualquer, ela também não foi menina qualquer. Está na tradição. Além de festejarmos sua concepção imaculada, festejamos seu nascimento.
Nossa Senhora das Luzes ou da Candelária, no dia 2 de fevereiro; das Dores, dia 15 de setembro, um dia depois do dia da Santa Cruz, porque ela estava lá aos pés do filho que morria. A iluminada é também iluminadora. Por isso oramos a ela para que ore por nós durante nossa vida e na hora em que estivermos morrendo. Ela viveu isso com o Filho!
Durante o ano temos mais de 40 dias especiais, nos quais lembramos algum mistério da vida de Jesus ou da vida de Maria associada à de Jesus. Ascensão alguns dias depois da Páscoa, porque ali Jesus se despediu prometendo que voltaria, mas nunca mais foi visto com os olhos da carne. Assunção, porque seremos todos levados para o céu para onde não podemos ir por próprias forças, mas lembrando que Maria morreu de morte bem mais serena do que a nossa e que, para ela o céu não trazia dúvidas. Foi passagem serena. Já tinha tido o céu no ventre. Nossa assunção é bem menos festiva. Morrer ainda nos assusta, isto porque não temos a correta dimensão de céu em nós.
Assim, as doutrinas e dogmas que cercam Jesus e seus santos, sobretudo Maria, para nós são festas maiores ou menores, a depender do enfoque devocional desta ou daquela cidade ou paróquia.
Pergunte a um católico devidamente instruído na fé e ele saberá responder porque ora, a quem ora, como ora e porque celebra algum dogma ou acontecimento. Os que lêem menos sabem menos. Mas está tudo lá nos livros oficiais da Igreja.
Creio e sei porque creio, celebro e sei o que celebro.
Perguntei a um grupo de católicos atuantes qual a diferença entre ascensão e assunção, e entre Nossa Senhora da Conceição e Natividade de Nossa Senhora. Tiveram dificuldade de responder. Em algum lugar de sua formação alguém se esqueceu de mergulhar nos porquês de nossa devoção.
Agiu coerentemente o pároco de uma ativa comunidade católica quando escalou uma equipe de jovens para explicar em letras grandes num painel à entrada do templo, a cada festa, o que ela significava e, se fosse a vida de algum santo, o resumo de sua vida, atuação e pensamentos. A mesma equipe foi encarregada de colocar uma breve placa de explicação diante de cada imagem que havia no templo, com a corresponde citação bíblica. Resgatou conceitos e fundamentou suas celebrações.
Deixa a desejar a paróquia ou templo que, por anos a fio, apenas mostra imagens e celebra festas sem jamais explicar a catequese que elas expressam.
Resultado: temos sido uma igreja mal vivida... porque mal explicada!

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SANTO DO DIA

Visitação de Nossa Senhora

Sabemos que Nossa Senhora foi visitada pelo Arcanjo Gabriel com esta mensagem de amor, com esta proposta de fazer dela a mãe do nosso Salvador. E ela aceitou. E aceitar Jesus é estar aberto a aceitar o outro.
O anjo também comunicou a ela que sua parenta — Santa Isabel — já estava grávida. Aí encontramos o testemunho da Santíssima Virgem — no Evangelho de São Lucas no capitulo 1, — quando, depois de andar cerca de 100 km, ela encontrou-se com Isabel.
Nesta festa, também vamos descobrindo a raiz da nossa devoção a Maria. Ela cantou o Magnificat, glorificando a Deus. Em certa altura ela reconheceu sua pequenez, e a razão pela qual devemos ter essa devoção, que passa de século a século.
“Porque olhou para sua pobre serva, por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações.” (Lucas 1,48)
A Palavra de Deus nos convida a proclamarmos bem-aventurada aquela que, por aceitar Jesus, também se abriu à necessidade do outro. É impossível dizer que se ama a Deus, se não se ama o outro. A visitação de Maria a sua prima nos convoca a essa caridade ativa. A essa fé que se opera pelo amor. Amor que o outro tanto precisa.
Quem será que precisa de nós?
Peçamos a Virgem Maria que interceda por nós junto a Jesus, para que sejamos cada vez mais sensíveis à dor do outro. Mas que a nossa sensibilidade não fique no sentimentalismo, mas se concretize através da caridade.
LITURGIA DIÁRIA

Terça-feira, 31 de maio de 2011
Visitação de Nossa Senhora

Primeira Leitura (Sf 3,14-18)

14Canta de alegria, cidade de Sião; rejubila, povo de Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração, cidade de Jerusalém! 15O Senhor revogou a sentença contra ti, afastou teus inimigos; o rei de Israel é o Senhor, ele está no meio de ti, nunca mais temerás o mal.
16Naquele dia, se dirá a Jerusalém: “Não temas, Sião, não te deixes levar pelo desânimo! 17O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, o valente guerreiro que te salva; ele exultará de alegria por ti, movido por amor; exultará por ti, entre louvores, 18como nos dias de Festa. Afastarei de ti a desgraça, para que nunca mais te cause humilhação”.

Salmo de meditação (Is 12, 2-6)

O Santo de Israel é grande entre vós.

— Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo; o Senhor é minha força, meu louvor e salvação. Com alegria bebereis do manancial da salvação.
— E direis naquele dia: “Dai louvores ao Senhor, invocai seu Santo nome, anunciai suas maravilhas, entre os povos proclamai que seu nome é o mais sublime.
— Louvai cantando ao nosso Deus, que fez prodígios e portentos, publicai em toda a terra suas grandes maravilhas! Exultai cantando alegres, habitantes de Sião, porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!”

Evangelho do dia (Lc 1,39-56)

39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
42Com um grande grito exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre!” 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”.
46Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o temem.
51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. 56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.

Comentário

Mons. F. Xavier Ciuraneta i Aymí
Bispo emérito de Lleida (Lleida, Espanha)

«O menino pulou de alegria no meu ventre»

Hoje contemplamos o fato da Visitação da Virgem Maria a sua prima Isabel. Tão rapidamente como lhe foi comunicado que tinha sido escolhida por Deus Pai para ser Mãe do Filho de Deus e que sua prima Isabel tinha recebido também o dom da maternidade, caminha decididamente até a montanha para cumprimentar sua prima, para compartilhar com ela o gozo de terem sido agraciadas com o dom da maternidade e para servi-la.
A saudação da Mãe de Deus provoca que o menino, que Isabel leva no seu ventre, pule de entusiasmo dentro das entranhas de sua mãe. A Mãe de Deus, que leva Jesus no seu ventre é causa de alegria. A maternidade é um dom que gera alegria. As famílias alegram-se quando há um anúncio de uma nova vida. O nascimento de Cristo produz certamente «uma grande alegria» (Lc 2,10).
Apesar de tudo, hoje em dia, a maternidade não é devidamente valorizada. Freqüentemente colocam-se em primeiro lugar outros interesses superficiais, que são manifestação de comodidade e de egoísmo. As possíveis renúncias que comporta o amor paternal e maternal, assustam a muitos matrimônios que, talvez pelos meios que receberam de Deus, devessem ser mais generosos e dizer “sim” mais responsavelmente a novas vidas. Muitas famílias deixam de ser “santuários da vida”. O papa João Paulo II constata que a contracepção e o aborto “têm as suas raízes numa mentalidade hedonista e irresponsável a respeito da sexualidade e pressupõem uma concepção egoísta da liberdade, que vê na procriação um obstáculo ao desenvolvimento da própria personalidade».
Isabel, durante cinco meses, não saía de casa, e pensava: «Isto é o que o Senhor fez por mim» (Lc 1,25). E Maria dizia: «A minha alma glorifica o Senhor (…) porque pôs os olhos na humildade da sua serva» (Lc 1,46.48). A Virgem Maria e Isabel valorizam e agradecem a obra de Deus nelas: a maternidade!
É necessário que os católicos reencontrem o significado da vida como um dom sagrado de Deus aos seres humanos.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A Política, os crentes e os ateus
Pe. Zezinho, scj

O Brasil não é um país só de religiosos. Nossas leis são para todos. Mas é um país onde todos podem se manifestar. Por enquanto ainda são pequenas as chances de algum ditador se apossar do governo da nação. Mas não se deve baixar a guarda. Há e haverá quem o queira. Basta prestar atenção aos discursos de quem faria qualquer coisa para chegar ou para não apear do poder. Pelo que sabemos país algum governado por anjos...
Mas um fato é constatável. Crentes estão falando, tomando partido e negociando em favor de suas igrejas. E também brigando entre si, em busca de emissoras e outras vantagens políticas. Verdade ou mentira, está nos jornais e está em programas por eles conduzidos. Não disfarçam suas lutas intestinas por mais veículos e mais poder. Isso inclui as mais diversas igrejas que desejam mais espaço e mais mídia.
Por outro lado, os políticos sabem que qualquer ateu confesso que deseje os votos para governar terá que enfrentar os religiosos que somam mais de 90% da população. Teimar em ateísmo e governar ignorando os apelos das igrejas ou centros de fé, a menos que se trate de ditadura, seria suicídio político. Por isso assiste-se com um pé atrás a performance religiosa de quem ontem mesmo dizia não ter certeza de que Deus existe. Como, porém, a alma humana da meia-volta, pode-se questionar o momento, mas não se pode duvidar da sinceridade de quem hoje age como crente durante uma campanha. Converteu-se a Deus ou às urnas?
E há o crente que fica nas aparências. Para ele basta que o candidato pareça religioso. Escolhe sem ligar os fatos. Não se dá conta de a fé vai além das palavras. Votar em quem agora parece crente e se afirma convertido é navegar na maionese. Parecer não é ser! Políticos para todos os cargos que fazem uso de palavras cheias de unção para alcançar a vereança, a Câmara, o Senado, o Governo e a Presidência ainda precisam provar que de fato respeitarão os 90% de crentes do país.
O mesmo deverá fazer o candidato religioso. Respeitará a minoria descrente? E o que fará na hora de assinar um documento que 90% dos crentes rejeitam, mas a minoria descrente apóia? E a questão do aborto é apenas uma delas. Se Deus não é o autor da vida, quem é?
Política, ateísmo e teísmo nem sempre se afinam. É preciso muita nobreza, veracidade e capacidade de diálogo para governar um país com estas estatísticas. A julgar pela última campanha política fica difícil saber se quem mentiu sobre tantas outras coisas não mentirá também sobre os temas que são caros aos religiosos.
Chamar todo os crentes de fanáticos e obscurantistas não vai resolver, porque também entre os não crentes há fanáticos políticos com idéias mais do que ultrapassadas. Ainda bem temos eleições de 2 em 2 anos e um parlamento que, se levássemos a sério nos representaria!...

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SANTO DO DIA

São Filipe Néri

O "santo da alegria" nasceu em Florença, Itália, no ano de 1515.
Depois de ficar órfão, recebeu um convite de seu tio para que se dedicasse aos negócios. Mas, tendo vida de oração e discernimento, ele percebeu que Deus o chamava para outro caminho: expressar com a vida a caridade de Cristo.
Néri foi estudar em Roma. Lá, cursou filosofia e teologia, deixando-se conduzir e formar pelo Espírito Santo e, mesmo antes de ser padre, visitava os lugares mais pobres de Roma. Formou uma associação para cuidar dos doentes pobres.
São Filipe disse sim para a glória de Deus e iniciou a bela obra do Oratório do Divino Amor, dedicando-se aos jovens e testemunhando sua alegria. Vivia da Divina Providência, indo aos lares dos ricos pedir pelos pobres.
Homem de oração, penitência e adoração, São Filipe Néri partiu para o céu com 80 anos, deixando para nós esse testemunho: renunciar a si mesmo, tomar a cruz a cada dia e seguir Jesus é uma alegria.
LITURGIA DIÁRIA

Quinta-feira, 26 de maio de 2011
V Semana da Páscoa

Primeira Leitura (At 15,7-21)

Naqueles dias, 7depois de longa discussão, Pedro levantou-se e falou aos apóstolos e anciãos: “Irmãos, vós sabeis que, desde os primeiros dias, Deus me escolheu, do vosso meio, para que os pagãos ouvissem de minha boca a palavra do Evangelho e acreditassem. 8Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a favor deles, dando-lhes o Espírito Santo como o deu a nós. 9E não fez nenhuma distinção entre nós e eles, purificando o coração deles mediante a fé. 10Então, por que vós agora pondes Deus à prova, querendo impor aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós mesmos tivemos força para suportar? 11Ao contrário, é pela graça do Senhor Jesus que acreditamos ser salvos, exatamente como eles”.
12Houve então um grande silêncio em toda a assembleia. Depois disso, ouviram Barnabé e Paulo contar todos os sinais e prodígios que Deus havia realizado, por meio deles, entre os pagãos. 13Quando Barnabé e Paulo terminaram de falar, Tiago tomou a palavra e disse: “Irmãos, ouvi-me: 14Simão acaba de nos lembrar como, desde o começo, Deus se dignou tomar homens das nações pagãs para formar um povo dedicado ao seu Nome. 15Isso concorda com as palavras dos profetas, pois está escrito: 16“Depois disso, eu voltarei e reconstruirei a tenda de Davi que havia caído; reconstruirei as ruínas que ficaram e a reerguerei, 17a fim de que o resto dos homens procure o Senhor com todas as nações que foram consagradas ao meu Nome. É o que diz o Senhor, que fez estas coisas, 18conhecidas há muito tempo’.
19Por isso, sou do parecer que devemos parar de importunar os pagãos que se convertem a Deus. 20Vamos somente prescrever que eles evitem o que está contaminado pelos ídolos, as uniões ilegítimas, comer carne de animal sufocado e o uso do sangue. 21Com efeito, desde os tempos antigos, em cada cidade, Moisés tem os seus pregadores, que lêem todos os sábados nas sinagogas”.

Salmo de meditação (Sl 95)

Anunciai as maravilhas do Senhor entre todas as nações.

— Cantai ao Senhor Deus um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! Cantai e bendizei seu santo nome!
— Dia após dia anunciai sua salvação, manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios!
— Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!” Ele firmou o universo inabalável pois os povos ele julga com justiça.

Evangelho do dia (Jo 15, 9-11)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 9“Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11Eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena”.

Comentário

«Como meu Pai me ama, assim também eu vos amo»
D. Lluís RAVENTÓS i Artés (Tarragona, Espanha)

Hoje, ouvimos outra vez a intima confidência que Jesus nos faz na Quinta-feira Santa: «Como meu Pai me ama, assim também eu vos amo» (Jo 15,9).
O amor do Pai ao Filho é grande, terno, íntimo. Lemo-lo no livro dos Provérbios, quando afirma que antes de começar as obras «junto a ele estava eu como artífice, brincando todo o tempo diante dele» (Prov 8,30). Desse jeito Ele nos ama e, o anunciando profeticamente nesse livro, acrescenta que «brincando sobre o globo de sua terra, achando as minhas delícias junto aos filhos dos homens» (Prov 8,31).
O Pai ama ao Filho, e Jesus não deixa de nos di-lo: «Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou sozinho, porque faço sempre o que é do seu agrado» (Jo 8,29). O Pai proclamou bem forte no Jordão, quando ouvimos: «Tu és o meu Filho muito amado; em ti ponho minha afeição» (Mc 1,11) e, mais tarde no Tabor: «Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o» (Mc 9,7).
Jesus respondeu, «Abba», Pai! Agora revela nos, «como meu Pai me ama, assim também eu vos amo». E nós, o que vamos fazer? Pois, mantermos no seu amor, cumprir os seus mandamentos, amar à vontade do Pai. Não é esse o exemplo que Ele nos dá?: «Eu faço sempre o que agrada Ele».
Mas nós, que somos débeis, inconstantes, covardes, e — porque não di-lo — maus, perderemos, pois sua amizade para sempre? Não, Ele não permitirá que sejamos tentados por cima de nossas forças! Mas, se acaso nos apartamos de seus mandamentos, peçamos lhe a graça de voltar como o filho pródigo à casa do Pai e acudir ao sacramento da Penitência para receber o perdão de nossos pecados. «Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa» (Jo 15,9.11).

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Amar é diferente
Pe. Zezinho, scj

Com sua exposição de corpos, de nudez frontal, de sexo explícito e de solicitações ousadas e atrevidas de sexo em novelas, em programas de televisão e no cinema, em provocações visuais a cada esquina, o mundo atual jogou sobre as cabeças de homens e mulheres e adolescentes uma noção de corpo e de sexo que não envolve alteridade nem diálogo. E sexo deveria ser diálogo.
Nada disso é novo. Está descrito no livro do na descrição das lascívias de Sodoma e Gomorra. (Gn 18,2026; Dt 29,23) Entre os gregos já se agia desta forma. Só não havia os recursos midiáticos de agora. Para muitos, é coisa da hora, daquela noite, daquela semana, daqueles momentos. São atos que não se tornam relações. Ele quer prazer e por enquanto serve o corpo dela; ela quer prazer ou dinheiro e por enquanto serve o corpo dele, ou de mais pessoas. Da mesma forma que na Grécia e em Roma 400 a 300 aC, em muitos ambientes de agora, sexo não vincula. São encontros sem diálogo afetivo e relações sem vínculo.
Para muitos jovens e adultos uma coisa é o envolvimento físico, outra o amor. Transa ainda não é diálogo, relação sexual ou relações sexuais ainda não são relações estáveis nem relações de matrimônio. Não há entrega. O que há são prestações. Leva-se o produto antecipadamente, mas sem garantia de ficar com ele. Experimenta-se sem garantia de pagar. É o mundo da emoção, do prazer, da sensação e, também, o da satisfação momentânea; beija-se, abraça-se como se come um chocolate. Havendo coisa melhor comerão aquela nova coisa...
O amor é bem outra coisa. Quem ama mira acima e para além da genitália. No amor o sexo não ocupa o centro da relação. O verbo do amor é cuidar e assumir. No amor, transar fica para depois. Aquele que ama não se fixa apenas no prazer, nem somente na aparência, nem se fixa no momento. Contempla um possível depois, porque amor é sentimento que leva ao outro e que o eleva. É ternura que invade e pervade os dois de tal maneira que ela, a mulher, se torna um pouco ele e ele, o homem, se torna um pouco ela. Nenhum se imagina sem o outro e nenhum se vê dando-se dessa forma a outra pessoa.
Por isso e muito mais é que o sexo é repetitivo e o amor é criativo. Há muito mais criatividade num "eu te amo" do que naquelas revistas de banca de esquina. Mas quem vai ensinar isso a quem nunca parou para pensar nos valores que tem para dar aos outros? Será ouvido? Um dos maiores dramas de nosso tempo é o que atingiu Sodoma e Gomorra. Sexo sem alteridade! Ligue sua televisão e conclua!

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SANTO DO DIA

Santa Maria Madalena de Pazzi

Nasceu no ano de 1566 em Florença, na Itália, e pertenceu a uma nobre família.
Muito cedo se viu chamada à vida religiosa e queria consagrar-se totalmente. Abandonou tudo: os bens e os projetos.
Entrou para a Ordem Carmelita e ali viveu por 25 anos. Uma aventura espiritual mística que resultou em uma grande obra com suas experiências carismáticas.
Todos os santos foram carismáticos. E a nossa Igreja é carismática, pois ela é marcada pelas manifestações do Espírito Santo.
Precisamos aprender com os santos a sermos dóceis ao Espírito Santo.
Ela sofreu muito, mas amou a cruz de cada dia.
Santa Maria sofreu com várias enfermidades até que entrou no Céu, com 41 anos. Seu lema foi: “Padecer, Senhor, e não morrer!”
LITURGIA DIÁRIA

Quarta-feira, 25 de maio de 2011
V Semana da Páscoa

Primeira Leitura (At 15,1-6)

1Naqueles dias, chegaram alguns da Judeia e ensinavam aos irmãos de Antioquia, dizendo: “Vós não podereis salvar-vos, se não fordes circuncidados, como ordena a Lei de Moisés”. 2Isto provocou muita confusão, e houve uma grande discussão de Paulo e Barnabé com eles. Finalmente, decidiram que Paulo, Barnabé e alguns outros fossem a Jerusalém, para tratar dessa questão com os apóstolos e os anciãos.
3Depois de terem sido acompanhados pela comunidade, Paulo e Barnabé atravessaram a Fenícia e a Samaria. Contaram sobre a conversão dos pagãos, causando grande alegria entre todos os irmãos.
4Chegando a Jerusalém, foram recebidos pelos apóstolos e os anciãos, e narraram as maravilhas que Deus tinha realizado por meio deles. 5Alguns dos que tinham pertencido ao partido dos fariseus e que haviam abraçado a fé levantaram-se e disseram que era preciso circuncidar os pagãos e obrigá-los a observar a Lei de Moisés. 6Então, os apóstolos e os anciãos reuniram-se para tratar desse assunto.

Salmo de meditação (Sl 121)

Que alegria, quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!

— Que alegria, quando ouvi que me disseram: “Vamos à casa do Senhor!” E agora nossos pés já se detêm, Jerusalém, em tuas portas.
— Jerusalém, cidade bem edificada num conjunto harmonioso; para lá sobem as tribos de Israel, as tribos do Senhor.
— Para louvar, segundo a lei de Israel, o nome do Senhor. A sede da justiça lá está e o trono de Davi.

Evangelho do dia (Jo 15,1-8)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1“Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. 2Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. 3Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. 4Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim.
5Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. 7Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. 8Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.

Comentário

«Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós»
D. Antoni Carol i Hostench
(Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje, contemplamos novamente Jesus rodeado dos apóstolos, em um clima de especial intimidade. Ele confia-lhes o que poderíamos considerar como as últimas recomendações: aquilo que se diz no último momento, justo na despedida, e que tem uma força especial, como se de um postremo testamento se tratasse.
Nos imaginamo-los no cenáculo. Ali, Jesus lhes tem lavado os pés, tem lhes anunciado novamente que tem que partir, tem lhes transmitido o mandamento do amor fraterno e os tem consolado com o dom da Eucaristia e a promessa do Espírito Santo (cf. Jo 14). Introduzidos já no capítulo décimo quinto deste Evangelho, achamos agora a exortação à unidade na caridade.
O Senhor não esconde aos discípulos os perigos e dificuldades que deverão afrontar no futuro: «Se me perseguiram, também vos hão de perseguir» (Jo 15,20). Mas eles não se acovardarão nem se abaterão ante o ódio do mundo: Jesus renova a promessa do envio do Defensor, garante-lhes a assistência em tudo aquilo que eles lhe peçam e, enfim, o Senhor roga ao Pai por eles — por nós todos — durante a sua oração sacerdotal (cf. Jo 17).
Nosso perigo não vem de fora: a pior ameaça pode surgir de nós mesmos ao faltar ao amor fraterno entre os membros do Corpo Místico de Cristo e ao faltar à unidade com a Cabeça deste Corpo. A recomendação é clara: «Eu sou a videira e vós, os ramos. Aquele que permanece em mim, como eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim, nada podeis fazer» (Jo 15,5).
As primeiras gerações de cristãos conservaram uma consciência muito viva da necessidade de permanecer unidos pela caridade: Temos aqui o testemunho de um Padre da Igreja, Santo Inácio da Antioquia: «Correis todos a uma como a um só templo de Deus, como a um só altar, a um só Jesus Cristo que procede de um só Pai». Tem aqui também a indicação de Santa Maria, Mãe dos cristãos: «Fazei o que ele vos disser» (Jo 2,5).

terça-feira, 24 de maio de 2011

Agora doze mil pedaços
Pe. Zezinho, scj

Faz pensar, o fato de que mais de doze mil pedaços até agora recolhidos da nave que se desintegrou tenham caído em lugares abertos, vegetação rasteira, parques, quintais e nenhum sobre pessoas ou casas. Pelo menos, nada disso foi noticiado até agora. Há quem fale em milagre. Se não é, teria tudo para ser. Por que Deus poupou todo mundo aqui de baixo e não a eles lá em cima, só Ele sabe. Mas nós podemos, cada um segundo a sua fé, orar pelos que morreram e agradecer por milhares de pessoas que não foram atingidas pelos estilhaços. Ainda bem.
Faz pensar também, a confiança que os técnicos da NASA tinham no seu trabalho, a ponto de garantir que aquele incidente de lançamento não teria maiores conseqüências e agora admitem que teve. Acreditavam em sua obra, mesmo sabendo que no passado morreram outros tantos por causa de pequena avaria num dos foguetes. Os construtores de avião sabem que uma pequena peça pode comprometer o vôo de uma enorme aeronave. Vivem procurando soluções antecipadas. Ora, uma nave espacial é muito mais delicada, a velocidade é incomparável, a reentrada na atmosfera é um perigo permanente. Se não possuem uma nave de resgate, porque não a possuem? Se possuem, porque não a acionaram para ir buscar os astronautas, se tinha havido um incidente na subida? Apostaram no seu conhecimento e na sua obra. Foi risco calculado. Só que, calculado com as vidas dos astronautas e não com as dos técnicos em terra!
Agora, todos oramos por eles e os consideramos mártires da ciência. Aqui na minha mente questionadora e inquisitiva, digo que a cidadania deles foi pisoteada. Não é possível nem sequer imaginar que aqueles técnicos todos não tivessem, nem por um minuto, pensado no problema da nave que subiu avariada. Não houve chance de verificar, já que os astronautas lá em cima podem sair da nave? Porque não falam disso? Não vão falar? Na cabeça de cidadãos que nada sabem sobre naves espaciais, mas sabem que uma missão como esta custa milhões de dólares, fica uma interrogação. Não podiam ter gastado uns milhões a mais e trazido aqueles astronautas vivos numa outra aeronave? Porque será que não o fizeram? Perguntar não ofende, espero!

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SANTO DO DIA

São Vicente de Lérins

Nascido no norte da França, viveu sua juventude em busca das vaidades do mundo e tornou-se militar.
Ao encontrar-se com Deus e se converter, foi se tornando cada vez mais obediente à Palavra do Senhor. Amou a Palavra de Deus.
Entrou para a vida monástica, tornando-se um exemplo de monge. Aprofundou-se nos mistérios de Deus, tornando-se um grande pensador, teólogo e místico.
Combateu muitas heresias no século V.
Eleito abade, o mosteiro de Lérins tornou-se um lugar de forte formação para santos e bispos da Igreja.
São Vicente foi um homem doutorado na graça, defensor da verdade e que se consumiu pelo Evangelho.
LITURGIA DIÁRIA

Terça-feira, 24 de maio de 2011
V Semana da Páscoa

Primeira Leitura (At 14,19-28)

Naqueles dias, 19de Antioquia e Icônio chegaram judeus que convenceram as multidões. Então apedrejaram Paulo e arrastaram-no para fora da cidade, pensando que ele estivesse morto. 20Mas, enquanto os discípulos o rodeavam, Paulo levantou-se e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu para Derbe com Barnabé.
21Depois de terem pregado o Evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, Icônio e Antioquia. 22Encorajando os discípulos, eles os exortavam a permanecer firmes na fé, dizendo-lhes: “É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus”. 23Os apóstolos designaram presbíteros para cada comunidade. Com orações e jejuns, eles os confiavam ao Senhor, em quem haviam acreditado.
24Em seguida, atravessando a Pisídia, chegaram à Panfília. 25Anunciaram a palavra em Perge, e depois desceram para Atália. 26Dali embarcaram para Antioquia, de onde tinham saído, entregues à graça de Deus, para o trabalho que haviam realizado.
27Chegando ali, reuniram a comunidade. Contaram-lhe tudo o que Deus fizera por meio deles e como havia aberto a porta da fé para os pagãos. 28E passaram então algum tempo com os discípulos.

Salmo de meditação (Sl 144)

Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso Reino glorioso.

— Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!
— Para espalhar vossos prodígios entre os homens e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino é um reino para sempre, vosso poder, de geração em geração.
— Que a minha boca cante a glória do Senhor e que bendiga todo ser seu nome santo desde agora, para sempre e pelos séculos.

Evangelho do dia (Jo 14, 27-31a)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 27“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. 28Ouvistes que eu vos disse: ‘Vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. 29Disse-vos isto agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis.
30Já não falarei muito con¬vosco, pois o chefe deste mundo vem. Ele não tem poder sobre mim, 31amas, para que o mundo reconheça que eu amo o Pai, eu procedo conforme o Pai me ordenou”.

Comentário

Pe. Jaldemir Vitório
Jesuíta, doutor em exegese bíblica, professor da Faje

Jesus procurou evitar que sua partida para junto do Pai, a sua morte, fosse motivo de perturbação para os seus discípulos. Na perspectiva deles, isto resultaria na perda de um amigo querido, com quem haviam estabelecido um relacionamento de profunda confiança.
Não era isso, porém, que preocupava Jesus. No seu horizonte, despontava a ação malévola do Príncipe deste mundo, cuja ação enganadora visaria desviar os discípulos do caminho do Mestre, causando-lhes toda sorte de dificuldades. De fato, a perspectiva de perseguição não deixava de ser preocupante. Se os discípulos tivessem consciência do que isto significava, teriam mais razão ainda para entristecer-se e perturbar-se.
Apesar da incerteza do futuro, os discípulos deveriam alegrar-se. Ao partir, Jesus os precederia no caminho que todos haveriam de trilhar também. E, na casa do Pai, lhes prepararia um lugar.
A partida de Jesus era inevitável e inadiável. Sua permanência terrena junto aos seus não podia prolongar-se indefinidamente. Uma vez concluída sua missão terrena, era hora de começar sua missão celeste. Aos discípulos caberia levar adiante a missão do Mestre. A compreensão disto deveria afastar deles todo medo e toda tristeza. Embora sendo uma dura experiência, os discípulos tinham motivos para se alegrar com a partida de Jesus.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Pais que amam demais
Pe. Zezinho, scj

Pais que amam demais a um filho forçosamente acabam amando de menos os outros. No Livro do Gênesis, do capítulo 37 ao 50 há uma historia triste mas bonita porque acabou em reconciliação. Tem tudo a ver com a vida em família. Debrucemo-nos sobre ela.
Jacó não era um mau sujeito, mas tinha lá os seus pecados... Mimado pela mãe, fez urna coisa muito suja contra seu irmão Esaú e contra seu pai Isaque. Enganou-os Foi malandro e falso e sua mãe o ajudou a mentir. Por lei, o direito de sucessão era de Esaú, seu irmão gêmeo, mas o primeiro a nascer. Jacó se fez passar por Esaú e ganhou do pai Isaque a promessa e a bênção que de direito a Esaú pertenciam. Esaú demorou a perdoá-lo por isso. Até juras de morte aconteceram. Vieram longe um do outro para que não terminasse em fratricídio. Muitos anos depois Jacó pediu perdão e Esaú perdoou
Mas Jacó parece que não aprendeu. Cresceu, casou-se, teve doze filhos e imitou a mãe. Preferiu um deles aos demais. Amou José mais do que aos outros onze. O menino se dava ao luxo de sonhar e vadiar pela casa, enquanto os irmãos se ralavam no campo. Ninguém gosta disso e Jacó devia saber. Mas não quis, porque, um dia, acabou dando ao filho especial um manto multicolorido e psicodélico. Para os outros: nada!
Aquilo foi a gota d'água. Os outros perderam a cabeça. Para o queridinho do papai tratamento de príncipe, para nós , tratamento de empregado!... "É assim, é? Pois isso não vai ficar desse jeito! Não dessa vez!" Um deles decidiu matar José que, mimado como era, nem percebia.o que suas palavras causavam nos irmãos. Podia ser profeta, mas tinha muito que aprender na vida.
Não fosse por Rubem os ouros teriam cometido um bárbaro fratricídio. Reclamar , sim, mas matar um irmão? Que é isso manos? Era demais! Sugeriu que o vendessem como escravo a uma caravana e dissessem ao pai que o filho preferido morrera nas garras de um leão. Dito e feito, ganharam seu dinheiro sujo e livraram-se do irmão preferido e queridinho do papai.
Deus, porém, deu uma lição a todos: ao pai Jacó que exagerara no amor por um
dos filhos; ao sonhador José, que gostava se sentir-se mais eleito e mais especial do que os outros, tivesse ou não tivesse mais talento -Coisa que aliás alguns pregadores modernos andam ensinando pela televisão- ... e aos outros irmãos que levaram sua revolta à loucura de querer matar e finalmente vender como escravo o irmão humildemente vaidoso e metido a besta.
José passou um longo tempo no cárcere e sofreu muito na vida. Amadureceu com isso e aprendeu a respeitar seus irmãos. Chegou a vice-rei do Egito, mas agora, com outra cabeça. Os irmãos e o pai ralaram de fome. Sobretudo os irmãos quase assassinos, nunca mais esqueceram de sua vingança exagerada e maluca . Dariam tudo para reencontrar o irmão que venderam como escravo... Reencontraram, e do resto já sabemos. Fizeram as pazes e todos se converteram para a fraternidade. O pai Jacó, já muito velho, converteu-se para a paternidade.

Moral da estória: Jacó aprendeu que não é possível amar de canequinha, dando exatamente o mesmo amor para cada filho, mas os pais podem fazer um esforço para tratar os filhos com justiça e igualdade. Há pais que escandalosamente protegem uma filha ou um filho enquanto pisam nos outros. E isso não é ser pai nem mãe. Acabam prejudicando sua cria preferida e as outras crias abandonadas. José aprendeu que não se sai por aí diminuindo a luz dos irmãos e achando-se mais do que eles. Os outros irmãos aprenderam que revolta tem limite. Afinal não é com vingança e violência que resolvem problemas familiares.

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SANTO DO DIA

São Juliano

Era casado e possuía uma hospedaria. Nela, ele partilhava a vida eterna que trazia em seu coração. Esposo fiel que amou a família e os necessitados.
No ano de 305, o imperador Diocleciano começou uma perseguição aos cristãos. Juliano, então, passou a acolher em sua hospedaria os cristãos perseguidos.
Alguns homens denunciaram Juliano. Ele foi arrancado de casa e levado ao tribunal.
Por não renunciar à fé em Cristo, foi condenado e decapitado.
Hoje, ele vive com Cristo na Glória.
Continuamos em tempos de perseguição. Velada em alguns lugares e, em outros, bem visível.
Que o santo de hoje possa interceder para que, o Espirito Santo, nos ajude a sermos ousados em nosso testemunho, sem medo da morte e das perseguições, certos de que a nossa recompensa se encontra no céu.
LITURGIA DIÁRIA

Segunda-feira, 23 de maio de 2011
V Semana da Páscoa

Primeira Leitura (At 14,5-18)

Naqueles dias, em Icônio: 5Pagãos e judeus, tendo à frente seus chefes, estavam dispostos a ultrajar e apedrejar Paulo e Barnabé. 6Ao saberem disso, Paulo e Barnabé fugiram e foram para Listra e Derbe, cidades da Licaônia, e seus arredores. 7Aí começaram a anunciar o Evangelho. 8Em Listra, havia um homem paralítico das pernas, que era coxo de nascença e nunca fora capaz de andar. 9Ele escutava o discurso de Paulo. E este, fixando nele o olhar e notando que tinha fé para ser curado, 10disse em alta voz: 'Levanta-te direito sobre os teus pés.' O homem deu um salto e começou a caminhar. 11Vendo o que Paulo acabara de fazer, a multidão exclamou em dialeto licaônico: 'Os deuses desceram entre nós em forma de gente!' 12Chamavam a Barnabé Júpiter e a Paulo Mercúrio, porque era Paulo quem falava. 13Os sacerdotes de Júpiter, cujo templo ficava defronte à cidade, levaram à porta touros ornados de grinaldas e queriam, com a multidão, oferecer sacrifícios. 14Ao saberem disso, os apóstolos Barnabé e Paulo rasgaram as vestes e foram para o meio da multidão, gritando: 15'Homens, o que estais fazendo? Nós também somos homens mortais como vós, e vos estamos anunciando que precisais deixar esses ídolos inúteis para vos converterdes ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe. 16Nas gerações passadas, Deus permitiu que todas as nações seguissem o próprio caminho. 17No entanto, ele não deixou de dar testemunho de si mesmo através de seus benefícios, mandando do céu chuvas e colheitas, dando alimento e alegrando vossos coraçðes'. 18E assim falando, com muito custo, conseguiram que a multidão desistisse de lhes oferecer um sacrifício.

Salmo de meditação (Sl 113)

Não a nós, ó Senhor, não a nós, ao vosso nome, porém, seja a glória.

— Não a nós, ó Senhor, não a nós, ao vosso nome, porém, seja a glória, porque sois todo amor e verdade! Por que hão de dizer os pagãos: “Onde está o seu Deus, onde está?”
— É nos céus que está o nosso Deus, ele faz tudo aquilo que quer. São os deuses pagãos ouro e prata, todos eles são obras humanas.
— Abençoados sejais do Senhor, do Senhor que criou céu e terra! Os céus são os céus do Senhor mas a terra ele deu para os homens.


Evangelho do dia (Jo 14,21-26)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 21Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele. 22Judas - não o Iscariotes - disse-lhe: 'Senhor, como se explica que te manifestarás a nós e não ao mundo?' 23Jesus respondeu-lhe: 'Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. 24Quem não me ama, não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou. 25Isso é o que vos disse enquanto estava convosco. 26Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito.

Comentário
São Gregório Magno (c. 540-604)
Papa e doutor da Igreja
(Homilias sobre os Evangelhos, n°30)

«Nós viremos a ele e nele faremos morada»

«O meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada».
Imaginai, irmãos muito amados, que festa seria receber a Deus na morada do nosso coração! Se um amigo rico e poderoso quisesse entrar em nossa casa, evidentemente, toda a casa seria limpa, para que nada pudesse chocar o seu olhar, quando entrasse. Que aquele que prepara para Deus a morada da sua alma purifique todo o que estiver sujo devido às suas más acções.
Notai bem o que diz a Verdade: «Nós viremos a ele e nele faremos morada». Porque Ele pode passar no coração de alguns sem ficar lá a morar. Quando estes têm remorsos, vêem claramente o olhar de Deus; mas, quando vem a tentação, esquecem o objecto do seu arrependimento anterior e caiem de novo nos seus pecados, como se nunca os tivessem chorado. Pelo contrário, no coração daquele que ama verdadeiramente a Deus, que observa os Seus mandamentos, o Senhor vem e faz nele morada, pois o amor de Deus preenche-o de tal modo que não se afasta desse amor no momento da tentação.
Portanto, é esse, cuja alma não aceita ser dominada por um mau prazer, que ama verdadeiramente a Deus. [...] Daqui esta afirmação: «Quem não Me tem amor não guarda as Minhas palavras».
Examinai-vos cuidadosamente a vós próprios, irmãos muito amados; perguntai-vos se amais verdadeiramente a Deus.
Mas não vos fieis da resposta do vosso coração sem a comparar com os vossos actos.

domingo, 22 de maio de 2011

O SANTO DO DIA

Santa Rita de Cássia

Nasceu na Itália, em Cássia, no ano de 1380. Seu grande desejo era consagrar-se numa vida religiosa. Mas, segundo os costumes de seu tempo, ela foi entregue em matrimônio para Paulo Ferdinando.
Tiveram dois filhos, e ela como mãe buscou educá-los na fé e no amor. Porém, eles foram influenciados pelo pai que, antes de se casar se apresentava com uma boa índole, mas depois se mostrou fanfarrão, traidor, entregue aos vícios. E seus filhos o acompanharam.
Rita então, chorava, orava, intercedia e sempre dava bom exemplo.
Seu esposo acabou sendo assassinado. Não demorou muito, seus filhos também morreram.
Seu refúgio era Jesus Cristo.
A santa de hoje viveu os impossíveis de sua vida se refugiando no Senhor.
Rita quis ser religiosa. Já era uma esposa santa, tornou-se uma viúva santa e depois uma religiosa.
Ela recebeu um estigma na testa, que a fez sofrer muito, devido à humilhação que sentia, pois cheirava mal e incomodava aos outros. E teve que viver resguardada.
Morreu com 76 anos, após uma dura enfermidade que a fez sofrer por 4 anos.
Hoje ela intercede pelos impossíveis de nossa vida.
Cuidar do planeta 
Pe. Zezinho, scj 

Oro pelos destruidores do verde. Sinceramente eu oro, porque matam o futuro. Foram chegando e construindo e para isso, queimando, matando e destruindo. Milhões de homens e mulheres não sabem conviver com outras vidas ao redor. Os que sabem parecem não ter forças para salvá-las, por isso, Senhor, a cada dia que passa, eu vejo a teologia como experiência que passa pela ecologia. 
Não terei moral para afirmar a tua existência se não proteger as vidas que me cercam, e não apenas as vidas humanas. O ser humano, embora importante, é apenas uma das tuas obras. Não fizeste o universo só por nossa causa, não o estás fazendo só por causa do homem. Tens as tuas bilhões de razões e nós somo uma delas. 
Os grãos de areia, os pássaros multicoloridos e canoros e até mesmo os vermes, cantam o teu louvor. Eles não te entendem porque foram criados, mas a maioria dos seres humanos também não te entende. O modo como muitos vivem dá a entender que não entendem. 
Que meu conhecimento de mim mesmo seja cada dia mais profundo, que eu conheça cada dia mais profundamente a história do ser humano e que eu conheça com maior profundidade a história do teu amor criador e criativo. Quero entender porque um ser humano começa de um jeito e termina do outro. 
Quero saber o porquê dos que vivem sem um porquê. Nasci e estou vivo e quero dar um sentido ao meu nascer e ao meu viver para que possa, quem sabe, dar um sentido ainda mais bonito para o meu morrer. O que eu sei é que ainda eu não te conheço como poderia, mas gostaria de conhecer-te e não amo o que tu amas como deveria amar. Ainda não entendi que sou irmão do universo e um dos teus filhos caçulas. Não faz nem um milhão de anos que começamos a ser formados e não faz dez mil que começamos a registrar nossa passagem por aqui! ... E já colocamos a Terra em perigo!... 

www.padrezezinhoscj.com 
LITURGIA DIÁRIA

Domingo, 22 de maio de 2011
5º Domingo da Páscoa

Primeira Leitura (At 6,1-7)

1Naqueles dias, o número dos discípulos tinha aumentado, e os fiéis de origem grega começaram a queixar-se dos fiéis de origem hebraica. Os de origem grega diziam que suas viúvas eram deixadas de lado no atendimento diário.
2Então os Doze Apóstolos reuniram a multidão dos discípulos e disseram: “Não está certo que nós deixemos a pregação da Palavra de Deus para servir às mesas. 3Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria, e nós os encarregaremos dessa tarefa. 4Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra”.
5A proposta agradou a toda a multidão. Então escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; e também Filipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas e Nicolau de Antioquia, um grego que seguia a religião dos judeus. 6Eles foram apresentados aos apóstolos, que oraram e impuseram as mãos sobre eles.
7Entretanto, a Palavra do Senhor se espalhava. O número dos discípulos crescia muito em Jerusalém, e grande multidão de sacerdotes judeus aceitava a fé.

Salmo de meditação (Sl 32)

Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça,/ da mesma forma que em vós nós esperamos!

— Ó justos, alegrai-vos no Senhor!/ Aos retos fica bem glorificá-lo./ Dai graças ao Senhor ao som da harpa,/ na lira de dez cordas celebrai-o!
— Pois reta é a palavra do Senhor,/ e tudo o que ele faz merece fé./ Deus ama o direito e a justiça,/ transborda em toda a terra a sua graça.
— O Senhor pousa o olhar sobre os que o temem,/ e que confiam esperando em seu amor,/ para da morte libertar as suas vidas/ e alimentá-los quando é tempo de penúria.

Segunda Leitura (1Pd 2,4-9)

Caríssimos: 4Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus. 5Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo.
6Com efeito, nas Escrituras se lê: “Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e magnífica; quem nela confiar, não será confundido”.
7A vós, portanto, que tendes fé, cabe a honra. Mas, para os que não crêem, “a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular, 8pedra de tropeço e rocha que faz cair”. Nela tropeçam os que não acolhem a Palavra; esse é o destino deles. 9Mas vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa.

Evangelho do dia (Jo 14,1-12)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1”Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. 2Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós 3e, quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. 4E, para onde eu vou, vós conheceis o caminho”.
5Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” 6Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”.
8Disse Felipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” 9Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? 10Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai”.

Comentário

José Raimundo Oliva

Nos evangelhos sinóticos, Mateus, Marcos, Lucas, a última ceia de Jesus com os discípulos é resumida apenas nas narrativas do anúncio da traição de Judas e da benção do pão e a ação de graças sobre o cálice. O evangelista João narra esta ceia com cenas e longos diálogos que revelam a grande sublimidade deste último encontro com Jesus.
Toda ceia caracteriza-se como um momento de prazer de alimentar-se partilhado, na alegria e íntima comunhão de vida. O evangelho de João apresenta, não só o fim do ministério de Jesus, mas também o seu início, nas bodas de Cana, neste clima de alegria. Cinco dias antes desta última ceia, Jesus também participara da alegre ceia na casa de Lázaro, sendo ungido com perfume por Maria, a casa toda sendo tomada pelo odor agradável. Nesta última ceia, Jesus faz o seu gesto simples, até surpreendente, de lavar os pés dos discípulos. Em seguida Jesus menciona a expectativa de que seja traído. Esta menção cria um momento que causa certa perturbação nos corações dos discípulos. Jesus, então, procura tranqüilizá-los. Jesus está presente não só nos momentos de alegria, mas também nas provações. Ele é o caminho que nos conduz à casa do Pai. Basta segui-lo, fieis à verdade e empenhados em servir, para que a vida desabroche plenamente, aberta ao eterno. Ele próprio, à frente de seus discípulos, vai para a casa do Pai. No antigo Êxodo, o povo hebreu oprimido, saiu do Egito, conduzido por Moisés. Agora Jesus conduz a saída de seu povo libertando-o da opressão das sinagogas e do Templo de Israel, para entrar na casa do Pai. O próprio Jesus é o caminho para a casa do Pai. Ele revela-nos o Pai, através de suas obras de amor e libertação. Crer em Jesus e segui-lo significa comprometer-se com as obras de Jesus, na fraternidade, na misericórdia e na justiça, com o que se abre o espaço para a morada do Pai e de Jesus em cada um, na comunidade.
Aos discípulos cabe dar continuidade a estas obras, em comunidades organizadas (primeira leitura), testemunhando e proclamando o amor libertador de Jesus.