terça-feira, 31 de maio de 2011

Devoção de católico
Pe. Zezinho, scj

O amor é tanto que comemoramos anúncio, concepção, nascimento, momentos da vida, morte e ressurreição de Jesus. Também comemoramos concepção, nascimento, momentos de vida e morte de Maria, a mãe dele. Amor suscita memórias.
A um desses irmãos aguerridos de outra igreja, quando tive chance de explicar, expliquei o porquê desses nomes e dessas datas. Se ele se satisfez, não sei, mas parou de discordar. Aceito ouvir as explicações deles, mas quero o direito de explicar os meus porquês. Não sou um crente visceral; sou crente cristão, católico que estuda. Por isso celebramos os mistérios e vivências de ontem e, neles, nossos mistérios e nossas vivências.
Anunciação, a 25 de março, por conta do anúncio feito pelo anjo a Maria. Ela seria mãe de alguém especial. Está nos evangelhos. Imaculada Conceição, a 8 de dezembro, porque, para nós, o primeiro instante de uma vida é sagrado. O primeiro instante da vida da mãe de Jesus para nós e motivo de festa. Está na tradição. Natal, a 25 de dezembro, porque o nascimento de Jesus fez a diferença no mundo. Está nos evangelhos. Natividade de Maria, a 8 de setembro porque, se o menino que dela nasceu não foi um menino qualquer, ela também não foi menina qualquer. Está na tradição. Além de festejarmos sua concepção imaculada, festejamos seu nascimento.
Nossa Senhora das Luzes ou da Candelária, no dia 2 de fevereiro; das Dores, dia 15 de setembro, um dia depois do dia da Santa Cruz, porque ela estava lá aos pés do filho que morria. A iluminada é também iluminadora. Por isso oramos a ela para que ore por nós durante nossa vida e na hora em que estivermos morrendo. Ela viveu isso com o Filho!
Durante o ano temos mais de 40 dias especiais, nos quais lembramos algum mistério da vida de Jesus ou da vida de Maria associada à de Jesus. Ascensão alguns dias depois da Páscoa, porque ali Jesus se despediu prometendo que voltaria, mas nunca mais foi visto com os olhos da carne. Assunção, porque seremos todos levados para o céu para onde não podemos ir por próprias forças, mas lembrando que Maria morreu de morte bem mais serena do que a nossa e que, para ela o céu não trazia dúvidas. Foi passagem serena. Já tinha tido o céu no ventre. Nossa assunção é bem menos festiva. Morrer ainda nos assusta, isto porque não temos a correta dimensão de céu em nós.
Assim, as doutrinas e dogmas que cercam Jesus e seus santos, sobretudo Maria, para nós são festas maiores ou menores, a depender do enfoque devocional desta ou daquela cidade ou paróquia.
Pergunte a um católico devidamente instruído na fé e ele saberá responder porque ora, a quem ora, como ora e porque celebra algum dogma ou acontecimento. Os que lêem menos sabem menos. Mas está tudo lá nos livros oficiais da Igreja.
Creio e sei porque creio, celebro e sei o que celebro.
Perguntei a um grupo de católicos atuantes qual a diferença entre ascensão e assunção, e entre Nossa Senhora da Conceição e Natividade de Nossa Senhora. Tiveram dificuldade de responder. Em algum lugar de sua formação alguém se esqueceu de mergulhar nos porquês de nossa devoção.
Agiu coerentemente o pároco de uma ativa comunidade católica quando escalou uma equipe de jovens para explicar em letras grandes num painel à entrada do templo, a cada festa, o que ela significava e, se fosse a vida de algum santo, o resumo de sua vida, atuação e pensamentos. A mesma equipe foi encarregada de colocar uma breve placa de explicação diante de cada imagem que havia no templo, com a corresponde citação bíblica. Resgatou conceitos e fundamentou suas celebrações.
Deixa a desejar a paróquia ou templo que, por anos a fio, apenas mostra imagens e celebra festas sem jamais explicar a catequese que elas expressam.
Resultado: temos sido uma igreja mal vivida... porque mal explicada!

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SANTO DO DIA

Visitação de Nossa Senhora

Sabemos que Nossa Senhora foi visitada pelo Arcanjo Gabriel com esta mensagem de amor, com esta proposta de fazer dela a mãe do nosso Salvador. E ela aceitou. E aceitar Jesus é estar aberto a aceitar o outro.
O anjo também comunicou a ela que sua parenta — Santa Isabel — já estava grávida. Aí encontramos o testemunho da Santíssima Virgem — no Evangelho de São Lucas no capitulo 1, — quando, depois de andar cerca de 100 km, ela encontrou-se com Isabel.
Nesta festa, também vamos descobrindo a raiz da nossa devoção a Maria. Ela cantou o Magnificat, glorificando a Deus. Em certa altura ela reconheceu sua pequenez, e a razão pela qual devemos ter essa devoção, que passa de século a século.
“Porque olhou para sua pobre serva, por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações.” (Lucas 1,48)
A Palavra de Deus nos convida a proclamarmos bem-aventurada aquela que, por aceitar Jesus, também se abriu à necessidade do outro. É impossível dizer que se ama a Deus, se não se ama o outro. A visitação de Maria a sua prima nos convoca a essa caridade ativa. A essa fé que se opera pelo amor. Amor que o outro tanto precisa.
Quem será que precisa de nós?
Peçamos a Virgem Maria que interceda por nós junto a Jesus, para que sejamos cada vez mais sensíveis à dor do outro. Mas que a nossa sensibilidade não fique no sentimentalismo, mas se concretize através da caridade.
LITURGIA DIÁRIA

Terça-feira, 31 de maio de 2011
Visitação de Nossa Senhora

Primeira Leitura (Sf 3,14-18)

14Canta de alegria, cidade de Sião; rejubila, povo de Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração, cidade de Jerusalém! 15O Senhor revogou a sentença contra ti, afastou teus inimigos; o rei de Israel é o Senhor, ele está no meio de ti, nunca mais temerás o mal.
16Naquele dia, se dirá a Jerusalém: “Não temas, Sião, não te deixes levar pelo desânimo! 17O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, o valente guerreiro que te salva; ele exultará de alegria por ti, movido por amor; exultará por ti, entre louvores, 18como nos dias de Festa. Afastarei de ti a desgraça, para que nunca mais te cause humilhação”.

Salmo de meditação (Is 12, 2-6)

O Santo de Israel é grande entre vós.

— Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo; o Senhor é minha força, meu louvor e salvação. Com alegria bebereis do manancial da salvação.
— E direis naquele dia: “Dai louvores ao Senhor, invocai seu Santo nome, anunciai suas maravilhas, entre os povos proclamai que seu nome é o mais sublime.
— Louvai cantando ao nosso Deus, que fez prodígios e portentos, publicai em toda a terra suas grandes maravilhas! Exultai cantando alegres, habitantes de Sião, porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!”

Evangelho do dia (Lc 1,39-56)

39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
42Com um grande grito exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre!” 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”.
46Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o temem.
51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. 56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.

Comentário

Mons. F. Xavier Ciuraneta i Aymí
Bispo emérito de Lleida (Lleida, Espanha)

«O menino pulou de alegria no meu ventre»

Hoje contemplamos o fato da Visitação da Virgem Maria a sua prima Isabel. Tão rapidamente como lhe foi comunicado que tinha sido escolhida por Deus Pai para ser Mãe do Filho de Deus e que sua prima Isabel tinha recebido também o dom da maternidade, caminha decididamente até a montanha para cumprimentar sua prima, para compartilhar com ela o gozo de terem sido agraciadas com o dom da maternidade e para servi-la.
A saudação da Mãe de Deus provoca que o menino, que Isabel leva no seu ventre, pule de entusiasmo dentro das entranhas de sua mãe. A Mãe de Deus, que leva Jesus no seu ventre é causa de alegria. A maternidade é um dom que gera alegria. As famílias alegram-se quando há um anúncio de uma nova vida. O nascimento de Cristo produz certamente «uma grande alegria» (Lc 2,10).
Apesar de tudo, hoje em dia, a maternidade não é devidamente valorizada. Freqüentemente colocam-se em primeiro lugar outros interesses superficiais, que são manifestação de comodidade e de egoísmo. As possíveis renúncias que comporta o amor paternal e maternal, assustam a muitos matrimônios que, talvez pelos meios que receberam de Deus, devessem ser mais generosos e dizer “sim” mais responsavelmente a novas vidas. Muitas famílias deixam de ser “santuários da vida”. O papa João Paulo II constata que a contracepção e o aborto “têm as suas raízes numa mentalidade hedonista e irresponsável a respeito da sexualidade e pressupõem uma concepção egoísta da liberdade, que vê na procriação um obstáculo ao desenvolvimento da própria personalidade».
Isabel, durante cinco meses, não saía de casa, e pensava: «Isto é o que o Senhor fez por mim» (Lc 1,25). E Maria dizia: «A minha alma glorifica o Senhor (…) porque pôs os olhos na humildade da sua serva» (Lc 1,46.48). A Virgem Maria e Isabel valorizam e agradecem a obra de Deus nelas: a maternidade!
É necessário que os católicos reencontrem o significado da vida como um dom sagrado de Deus aos seres humanos.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A Política, os crentes e os ateus
Pe. Zezinho, scj

O Brasil não é um país só de religiosos. Nossas leis são para todos. Mas é um país onde todos podem se manifestar. Por enquanto ainda são pequenas as chances de algum ditador se apossar do governo da nação. Mas não se deve baixar a guarda. Há e haverá quem o queira. Basta prestar atenção aos discursos de quem faria qualquer coisa para chegar ou para não apear do poder. Pelo que sabemos país algum governado por anjos...
Mas um fato é constatável. Crentes estão falando, tomando partido e negociando em favor de suas igrejas. E também brigando entre si, em busca de emissoras e outras vantagens políticas. Verdade ou mentira, está nos jornais e está em programas por eles conduzidos. Não disfarçam suas lutas intestinas por mais veículos e mais poder. Isso inclui as mais diversas igrejas que desejam mais espaço e mais mídia.
Por outro lado, os políticos sabem que qualquer ateu confesso que deseje os votos para governar terá que enfrentar os religiosos que somam mais de 90% da população. Teimar em ateísmo e governar ignorando os apelos das igrejas ou centros de fé, a menos que se trate de ditadura, seria suicídio político. Por isso assiste-se com um pé atrás a performance religiosa de quem ontem mesmo dizia não ter certeza de que Deus existe. Como, porém, a alma humana da meia-volta, pode-se questionar o momento, mas não se pode duvidar da sinceridade de quem hoje age como crente durante uma campanha. Converteu-se a Deus ou às urnas?
E há o crente que fica nas aparências. Para ele basta que o candidato pareça religioso. Escolhe sem ligar os fatos. Não se dá conta de a fé vai além das palavras. Votar em quem agora parece crente e se afirma convertido é navegar na maionese. Parecer não é ser! Políticos para todos os cargos que fazem uso de palavras cheias de unção para alcançar a vereança, a Câmara, o Senado, o Governo e a Presidência ainda precisam provar que de fato respeitarão os 90% de crentes do país.
O mesmo deverá fazer o candidato religioso. Respeitará a minoria descrente? E o que fará na hora de assinar um documento que 90% dos crentes rejeitam, mas a minoria descrente apóia? E a questão do aborto é apenas uma delas. Se Deus não é o autor da vida, quem é?
Política, ateísmo e teísmo nem sempre se afinam. É preciso muita nobreza, veracidade e capacidade de diálogo para governar um país com estas estatísticas. A julgar pela última campanha política fica difícil saber se quem mentiu sobre tantas outras coisas não mentirá também sobre os temas que são caros aos religiosos.
Chamar todo os crentes de fanáticos e obscurantistas não vai resolver, porque também entre os não crentes há fanáticos políticos com idéias mais do que ultrapassadas. Ainda bem temos eleições de 2 em 2 anos e um parlamento que, se levássemos a sério nos representaria!...

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SANTO DO DIA

São Filipe Néri

O "santo da alegria" nasceu em Florença, Itália, no ano de 1515.
Depois de ficar órfão, recebeu um convite de seu tio para que se dedicasse aos negócios. Mas, tendo vida de oração e discernimento, ele percebeu que Deus o chamava para outro caminho: expressar com a vida a caridade de Cristo.
Néri foi estudar em Roma. Lá, cursou filosofia e teologia, deixando-se conduzir e formar pelo Espírito Santo e, mesmo antes de ser padre, visitava os lugares mais pobres de Roma. Formou uma associação para cuidar dos doentes pobres.
São Filipe disse sim para a glória de Deus e iniciou a bela obra do Oratório do Divino Amor, dedicando-se aos jovens e testemunhando sua alegria. Vivia da Divina Providência, indo aos lares dos ricos pedir pelos pobres.
Homem de oração, penitência e adoração, São Filipe Néri partiu para o céu com 80 anos, deixando para nós esse testemunho: renunciar a si mesmo, tomar a cruz a cada dia e seguir Jesus é uma alegria.
LITURGIA DIÁRIA

Quinta-feira, 26 de maio de 2011
V Semana da Páscoa

Primeira Leitura (At 15,7-21)

Naqueles dias, 7depois de longa discussão, Pedro levantou-se e falou aos apóstolos e anciãos: “Irmãos, vós sabeis que, desde os primeiros dias, Deus me escolheu, do vosso meio, para que os pagãos ouvissem de minha boca a palavra do Evangelho e acreditassem. 8Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a favor deles, dando-lhes o Espírito Santo como o deu a nós. 9E não fez nenhuma distinção entre nós e eles, purificando o coração deles mediante a fé. 10Então, por que vós agora pondes Deus à prova, querendo impor aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós mesmos tivemos força para suportar? 11Ao contrário, é pela graça do Senhor Jesus que acreditamos ser salvos, exatamente como eles”.
12Houve então um grande silêncio em toda a assembleia. Depois disso, ouviram Barnabé e Paulo contar todos os sinais e prodígios que Deus havia realizado, por meio deles, entre os pagãos. 13Quando Barnabé e Paulo terminaram de falar, Tiago tomou a palavra e disse: “Irmãos, ouvi-me: 14Simão acaba de nos lembrar como, desde o começo, Deus se dignou tomar homens das nações pagãs para formar um povo dedicado ao seu Nome. 15Isso concorda com as palavras dos profetas, pois está escrito: 16“Depois disso, eu voltarei e reconstruirei a tenda de Davi que havia caído; reconstruirei as ruínas que ficaram e a reerguerei, 17a fim de que o resto dos homens procure o Senhor com todas as nações que foram consagradas ao meu Nome. É o que diz o Senhor, que fez estas coisas, 18conhecidas há muito tempo’.
19Por isso, sou do parecer que devemos parar de importunar os pagãos que se convertem a Deus. 20Vamos somente prescrever que eles evitem o que está contaminado pelos ídolos, as uniões ilegítimas, comer carne de animal sufocado e o uso do sangue. 21Com efeito, desde os tempos antigos, em cada cidade, Moisés tem os seus pregadores, que lêem todos os sábados nas sinagogas”.

Salmo de meditação (Sl 95)

Anunciai as maravilhas do Senhor entre todas as nações.

— Cantai ao Senhor Deus um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! Cantai e bendizei seu santo nome!
— Dia após dia anunciai sua salvação, manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios!
— Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!” Ele firmou o universo inabalável pois os povos ele julga com justiça.

Evangelho do dia (Jo 15, 9-11)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 9“Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11Eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena”.

Comentário

«Como meu Pai me ama, assim também eu vos amo»
D. Lluís RAVENTÓS i Artés (Tarragona, Espanha)

Hoje, ouvimos outra vez a intima confidência que Jesus nos faz na Quinta-feira Santa: «Como meu Pai me ama, assim também eu vos amo» (Jo 15,9).
O amor do Pai ao Filho é grande, terno, íntimo. Lemo-lo no livro dos Provérbios, quando afirma que antes de começar as obras «junto a ele estava eu como artífice, brincando todo o tempo diante dele» (Prov 8,30). Desse jeito Ele nos ama e, o anunciando profeticamente nesse livro, acrescenta que «brincando sobre o globo de sua terra, achando as minhas delícias junto aos filhos dos homens» (Prov 8,31).
O Pai ama ao Filho, e Jesus não deixa de nos di-lo: «Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou sozinho, porque faço sempre o que é do seu agrado» (Jo 8,29). O Pai proclamou bem forte no Jordão, quando ouvimos: «Tu és o meu Filho muito amado; em ti ponho minha afeição» (Mc 1,11) e, mais tarde no Tabor: «Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o» (Mc 9,7).
Jesus respondeu, «Abba», Pai! Agora revela nos, «como meu Pai me ama, assim também eu vos amo». E nós, o que vamos fazer? Pois, mantermos no seu amor, cumprir os seus mandamentos, amar à vontade do Pai. Não é esse o exemplo que Ele nos dá?: «Eu faço sempre o que agrada Ele».
Mas nós, que somos débeis, inconstantes, covardes, e — porque não di-lo — maus, perderemos, pois sua amizade para sempre? Não, Ele não permitirá que sejamos tentados por cima de nossas forças! Mas, se acaso nos apartamos de seus mandamentos, peçamos lhe a graça de voltar como o filho pródigo à casa do Pai e acudir ao sacramento da Penitência para receber o perdão de nossos pecados. «Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa» (Jo 15,9.11).

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Amar é diferente
Pe. Zezinho, scj

Com sua exposição de corpos, de nudez frontal, de sexo explícito e de solicitações ousadas e atrevidas de sexo em novelas, em programas de televisão e no cinema, em provocações visuais a cada esquina, o mundo atual jogou sobre as cabeças de homens e mulheres e adolescentes uma noção de corpo e de sexo que não envolve alteridade nem diálogo. E sexo deveria ser diálogo.
Nada disso é novo. Está descrito no livro do na descrição das lascívias de Sodoma e Gomorra. (Gn 18,2026; Dt 29,23) Entre os gregos já se agia desta forma. Só não havia os recursos midiáticos de agora. Para muitos, é coisa da hora, daquela noite, daquela semana, daqueles momentos. São atos que não se tornam relações. Ele quer prazer e por enquanto serve o corpo dela; ela quer prazer ou dinheiro e por enquanto serve o corpo dele, ou de mais pessoas. Da mesma forma que na Grécia e em Roma 400 a 300 aC, em muitos ambientes de agora, sexo não vincula. São encontros sem diálogo afetivo e relações sem vínculo.
Para muitos jovens e adultos uma coisa é o envolvimento físico, outra o amor. Transa ainda não é diálogo, relação sexual ou relações sexuais ainda não são relações estáveis nem relações de matrimônio. Não há entrega. O que há são prestações. Leva-se o produto antecipadamente, mas sem garantia de ficar com ele. Experimenta-se sem garantia de pagar. É o mundo da emoção, do prazer, da sensação e, também, o da satisfação momentânea; beija-se, abraça-se como se come um chocolate. Havendo coisa melhor comerão aquela nova coisa...
O amor é bem outra coisa. Quem ama mira acima e para além da genitália. No amor o sexo não ocupa o centro da relação. O verbo do amor é cuidar e assumir. No amor, transar fica para depois. Aquele que ama não se fixa apenas no prazer, nem somente na aparência, nem se fixa no momento. Contempla um possível depois, porque amor é sentimento que leva ao outro e que o eleva. É ternura que invade e pervade os dois de tal maneira que ela, a mulher, se torna um pouco ele e ele, o homem, se torna um pouco ela. Nenhum se imagina sem o outro e nenhum se vê dando-se dessa forma a outra pessoa.
Por isso e muito mais é que o sexo é repetitivo e o amor é criativo. Há muito mais criatividade num "eu te amo" do que naquelas revistas de banca de esquina. Mas quem vai ensinar isso a quem nunca parou para pensar nos valores que tem para dar aos outros? Será ouvido? Um dos maiores dramas de nosso tempo é o que atingiu Sodoma e Gomorra. Sexo sem alteridade! Ligue sua televisão e conclua!

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